Enaltecida nos famosos fados portugueses, Lisboa, capital de Portugal, reunirá no dia 8 de março (domingo), 30 mil corredores distribuídos na minimaratona (10K), e na rápida meia-maratona (21K), com 19 mil corredores.

A largada para a 35ª. Edição da Meia Maratona de Lisboa, será às 9h30, para os atletas da elite da Cruz Quebrada, em Oeiras e às 10h15 a corrida popular da ponte 25 de abril, em Almada, com extensão de 4 km sobre o rio Tejo, passando por Alcântara / Docas, região famosa pela vida noturna lisboeta, formada por bares, restaurantes e discotecas. Seguindo em direção a Praça do Comércio, considerada uma das praças mais bonitas de Lisboa, com a estátua do Rei D. José I no centro, antigamente era lá que se encontrava o Palácio Real. Hoje, é a sede dos principais ministérios. À frente, os atletas passam pelo Rossio, conhecida como praça Dom Pedro IV, Rei português que deu a independência ao Brasil em 1822. É o coração da cidade, o centro de Lisboa, ao redor desta praça, encontram-se lojas, cafés de renome, como o “Café Nicola” que foi local de encontro de escritores e também o teatro D. Maria II. Próximo à Praça do Rossio, no bairro do Chiado, onde se encontra o famoso elevador de Santa Justa.
Fatos históricos
Depois de 60 anos de domínio espanhol, Portugal torna-se independente em 1640, e para relembrar a conquista, foi construído um Obelisco no centro da Praça dos Restauradores, na avenida Liberdade, que é a principal avenida de Lisboa, que liga a Praça Marquês de Pombal ao centro. É onde estão as principais lojas e hotéis. Ao longo desta avenida estão as mais bonitas calçadas da cidade.
Após o terremoto que destruiu Lisboa em 1755, Marques de Pombal, então ministro do Rei D. José I, foi o responsável pela reconstrução da cidade, em sua homenagem, construíram a praça que leva o seu nome. Em 1986, participei com a equipe do Sporting Club de Lisboa, da tradicional prova de 8K que sai do Estádio do Benfica e chega na praça Marques de Pombal.
Chegada triunfal
Cercada por monumentos históricos, os atletas passam pelo “Padrão dos Descobrimentos”, que foi construído para comemorar a epopéia dos descobrimentos portugueses, ao centro encontra-se a estátua do Infante D. Henrique, fundador da escola de Sagres e um dos principais artífices das glórias marítimas de Portugal no século XV e XVI.
A Torre de Belém é um dos monumentos mais conhecidos pelos brasileiros nas aulas de história do descobrimento do Brasil. Este monumento foi construído entre 1515 e 1521 na entrada do Porto de Lisboa e assinala o ponto de partida de muitas expedições marítimas.
Já o Museu dos Coches, é um dos museus mais visitados do país, hoje em dia, é a residência oficial do presidente da república.
Por fim, o Mosteiro dos Jerônimos, palco da chegada dos atletas. É um dos monumentos mais representativos e originais da arquitetura portuguesa, cuja edificação começou em 1502.
Corrida morro abaixo
Com um desnível de 69 metros da largada a chegada, a Meia Maratona de Lisboa é uma das provas mais rápidas do mundo, tanto que em 2000, o atleta Paul Tergat, do Quênia, estabeleceu a melhor marca do mundo com 59min06, média de 2min48 por quilômetro. Os 10 melhores resultados do mundo, abaixo da 1 hora, também foram conquistados nesta prova. Em 2010, o atleta da Eritrea Tadese Zersenay, com 58min23, média de 2min46, por quilômetro, estabeleceu o recorde mundial para os 21.097,5 metros. Ele voltaria a vencer em 2011 (58min30) e 2012 com 59min34.
Jacob Kiplino, 25 anos, ugandense, segundo na São Silvestre em 2019 (15K) com 43´00, chegada histórica sendo ultrapassado na linha de chegada pelo queniano Kibiwott Kandie, 42´59, recorde da prova.
Kiplimo, em 2021 correu a meia de Lisboa em 57min31, recorde mundial até 2024. Medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio nos 10.000 metros com 27min43, tetracampeão mundial de cross-country, campeão da Maratona de Chicago em 2h02min23!
Tegla Loroupe do Quênia tem seis vitórias
Entre as mulheres, a super atleta do Quênia Tegla Loroupe, tem o maior número de vitórias na Meia de Lisboa, (1994, 95, 96, 97, 99 e 2000), ex-recordista mundial da maratona (2h20min43), tempo estabelecido em Berlim no ano de 1999. Resultado que acompanhei do carro madrinha (veículo que vai a frente dos atletas com o relógio oficial da prova) e, de fazer uma entrevista com a campeã, que já conhecia da Maratona de Nova York. O melhor resultado pertencia a também queniana Susan Chepkemei com 1h05min44. Chepkemei venceu nos anos 2001, 2002 e 2005. A campeã de 2009 foi a jovem revelação dos Estados Unidos, Kara Goucher, com 1h08min30. Em 2012, a também americana Shalane Flanagan, em sua estréia na prova, venceu com 1h08min52.
Atual recordista da prova é a etíope Tsigie Gebreselema que vai defender o título, vencedora de 2025 com 1h04min21.
Brasileiros na Meia de Lisboa
Vários brasileiros residentes em Portugal aproveitam a oportunidade para testar suas condições físicas. De 1986 a 1988, fiz um estágio de treinamento e aperfeiçoamento técnico no Sporting Club de Lisboa com o professor Mário Moniz Pereira, técnico de Carlos Lopes e Fernando Mamede, recordistas, campeões mundiais e medalhistas olímpicos, nessa época já existiam algumas meias maratonas, mas somente em 1991, Carlos Móia, idealizador e organizador, dava início à prova mais popular de Portugal que completará 35 edições. O inglês Paul Evan, com 1h01min44 e a portuguesa Rosa Mota, com 1h09min53, foram os vencedores. A carioca Janete Mayal, com 1h13min05 na quarta colocação, e José Silva, com 1h02min46, em oitavo lugar, foram os primeiros brasileiros que participaram da prova, em 1991. Em 1995, Vanderlei Cordeiro de Lima, chegaria em quarto com 1h02min24. Eduardo Nascimento, em 1998, foi o quinto colocado, com 1h00min32. Minha primeira participação foi em 1999, com 1h28m, em 2004 com 1h27, melhor resultado; desde então foram várias participações consecutivas até 2018, com 1h36!
Os brasileiros escolheram a prova como uma ótima forma de unir o útil ao agradável. Conhecer Lisboa correndo e depois fazer um passeio pelos castelos de Portugal.





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