
Levantamento citado por Hugo Abbá aponta presença brasileira recorde em Las Vegas; para a atleta e professora Ângela Borges, expansão é resultado de maior estrutura competitiva, visibilidade e profissionalização do esporte
O Brasil chega ao Mr. Olympia 2026, em Las Vegas, com uma das maiores delegações de sua história. Um levantamento da Folha de S.Paulo, citado pelo influenciador e empresário do setor fitness Hugo Abbá, contabiliza aproximadamente 60 atletas brasileiros classificados para a competição, número que ainda pode sofrer alterações em razão de vistos, desistências e outros fatores logísticos. Para Abba, o volume representa um marco para o país. Mas ainda está abaixo do potencial brasileiro.
“Isso já é um marco, é um recorde e, na minha opinião, ainda é pouco. Poderia ser mais”, afirma Hugo Abbá. Segundo ele, um dos obstáculos que ainda impedem uma participação brasileira maior é justamente a obtenção de vistos para os Estados Unidos. O influenciador cita o caso de atletas que conquistaram a classificação, mas enfrentam dificuldades para conseguir viajar.
A expansão da presença brasileira no principal palco do fisiculturismo mundial, no entanto, não é resultado apenas de uma nova geração de atletas. Para Ângela Borges, atleta tricampeã brasileira, professora da pós-graduação em Bodybuilding Coach da Faculdade UNIGUAÇU e uma das principais referências históricas da categoria Wellness, o cenário mudou profundamente na última década. “Mudou quase tudo, menos o esforço de quem sobe no palco”, resume.
Segundo Ângela, três fatores foram determinantes para essa transformação: o crescimento da infraestrutura ligada à atividade física, a chegada da NPC ao Brasil em 2018 e o aumento da visibilidade proporcionado pelas redes sociais. O número de negócios de atividade física no país, de acordo com os dados apresentados pela atleta, passou de cerca de 22 mil para mais de 60 mil em uma década. Ao mesmo tempo, as redes transformaram atletas em produtores de conteúdo e ampliaram as possibilidades de exposição e patrocínio.
Há ainda uma quarta mudança menos visível, mas fundamental para Ângela: a formação profissional. A professora destaca que a pós-graduação em Bodybuilding Coach da Faculdade UNIGUAÇU completou dez anos e representa uma mudança na maneira como o conhecimento sobre preparação é transmitido no país. “O que mudou, em uma frase: deixou de ser um sonho que se financia com dinheiro do próprio bolso e virou uma carreira possível. Não é fácil. Mas é possível”, afirma.
Da Wellness para todas as categorias
A evolução brasileira também aparece na diversidade de categorias em que o país passou a competir em alto nível. Hugo destaca que o Brasil já possui campeãs do Olympia, o título de Ramon Dino na Classic Physique e atletas brasileiros disputando posições de destaque em diferentes divisões. Ele cita nomes como Ramon Dino, Natália Coelho, Leandro Peres, além de atletas das categorias Wellness e Bikini.
Para Ângela, essa distribuição representa uma mudança importante: o Brasil deixou de ser associado a apenas um segmento do fisiculturismo. Em 2025, Ramon Dino tornou-se o primeiro homem brasileiro a vencer uma categoria principal do Olympia, na Classic Physique, enquanto Natália Coelho conquistou o título da Women’s Physique.
Um dos principais símbolos dessa transformação é justamente a Wellness. Criada em 2005 pela IFBB no Rio de Janeiro, a categoria surgiu valorizando um padrão físico que, segundo Ângela, durante muito tempo era penalizado em outras divisões. A atleta foi uma das responsáveis por levar esse modelo para competições internacionais e foi a primeira campeã profissional da história da Wellness pela IFBB.
A categoria chegou ao Olympia em 2021 e, desde então, o Brasil esteve representado em todas as edições, com Francielle Mattos, Isa Pereira Nunes e Eduarda Bezerra. Para Ângela, a trajetória demonstra como um padrão estético desenvolvido no Brasil ganhou reconhecimento internacional.
Brasil começa a exportar conhecimento
A transformação também ocorre nos bastidores. Para Ângela, o Brasil deixou de apenas enviar atletas para competir no exterior e passou a exportar treinadores e conhecimento.
Ela cita como exemplo o trabalho de Fabrício Pacholok, que em 2025 preparou Ramon Dino, campeão da Classic Physique, e Derek Lunsford, vencedor do Mr. Olympia. Também destaca Ricardo Pannain, responsável pela preparação de Francielle Mattos. “Hoje, nos bastidores do maior palco do fisiculturismo mundial, se fala português”, afirma.
A própria trajetória da atleta, segundo ela, ajuda a dimensionar essa mudança. Em 2021, para a preparação final de seu Olympia, Ângela buscou um treinador americano. Quatro anos depois, um brasileiro do interior do Paraná estava entre os profissionais responsáveis por colocar campeões no palco do maior campeonato do esporte.
Para ela, o próximo passo é transformar essa experiência acumulada em conhecimento reconhecido internacionalmente. A pós-graduação em Bodybuilding Coach da UNIGUAÇU, segundo Ângela, tem dez anos, mais de 10 mil profissionais formados, 500 horas de conteúdo e reconhecimento do MEC. “O Brasil já exporta corpo, já exporta treinador e já tem escola. O próximo passo é fazer o mundo ler o que a gente escreveu”, conclui.
Enquanto os atletas brasileiros se preparam para mais uma edição do Olympia, a presença numerosa em Las Vegas evidencia uma transformação que ultrapassa o palco: o bodybuilding brasileiro ganhou escala, visibilidade e profissionais capazes de atuar em diferentes etapas da cadeia. Para Abbá, o movimento tende a continuar crescendo. “Este ano vai ser histórico e com certeza os próximos teremos mais brasileiros ainda”.
Sobre a UNIGUAÇU
Fundada em 1999, a Faculdade UNIGUAÇU é a primeira do Brasil a montar uma grade de especialização voltado ao universo do fisiculturismo. Desde então, já são mais de 60 mil formados entre graduação, pós-graduação e cursos de extensão.
Entre os destaques da faculdade, estão os experts que fazem parte exclusiva da grade de professores como o Coordenador da pós-graduação de Musculação e Estética da Uniguaçu, o Especialista Vinícius Silva, o Doutor Jonato Prestes, PhD., o Doutor Márcio Bacci, Doutor Thiago Trindade, o especialista João Paim, o Coordenador pós-graduação Bodybuilding Coach, André Pierin ‘Pajé’ e a especialista e atleta Angela Borges, entre outros. Atualmente, a faculdade acompanha os principais acontecimentos do universo do bodybuilding por meio do projeto Palco dos Campeões – Las Vegas, conectando acontecimentos do esporte a discussões sobre treinamento, preparação e conhecimento técnico.





Adicionar comentário