Alison dos Santos se une a Adhemar Ferreira da Silva e Ronaldo da Costa na galeria dos brasileiros recordistas mundiais

Alison dos Santos: recorde nos 400 m com barreiras
(Divulgação/Diamond League)

Atletismo brasileiro conquistou, com Piu, seu primeiro recorde mundial adulto em provas de pista; país teve três recordistas no salto triplo e um na maratona

Alison dos Santos, o Piu, agora faz parte da seleta galeria de brasileiros recordistas mundiais de atletismo. O atleta de 26 anos, que bateu o recorde mundial dos 400 metros com barreiras (45.80) nesta quinta-feira (27/8), na etapa de Zurique (Suíça) da Diamond League, une-se a outros quatro grandes nomes: Adhemar Ferreira da Silva, Nelson Prudêncio, João Carlos de Oliveira e Ronaldo da Costa. Todos bateram recordes mundiais adultos.

O salto triplo deu ao Brasil três recordistas – Adhemar, Nelson e João. Ronaldo fez a maior marca mundial na maratona. E Piu foi o primeiro a deixar sua marca como recordista em uma prova adulta de pista – Joaquim Cruz bateu o recorde mundial juvenil dos 800 metros em 1981 (1:44.3), durante o Troféu Brasil, disputado no antigo estádio Célio de Barros, no Rio de Janeiro. A marca vigorou por 16 anos.

O lendário Adhemar, bicampeão olímpico do salto triplo (Helsinque-1952 e Melbourne-1956), teve cinco recordes mundiais ratificados. O primeiro foi em 3 de dezembro de 1950, quando saltou 16,00 metros e igualou a marca mundial vigente, que era do japonês Naoto Tajima desde 1936 – esse é o primeiro recorde mundial do atletismo alcançado em território brasileiro. Em setembro do ano seguinte, Adhemar tornou-se recordista isoladamente: fez 16,01 m, no Rio de Janeiro. 

Na final olímpica dos Jogos de Helsinque, na Finlândia, no dia 23 de julho de 1952, Adhemar já era o favorito para o título. Mas entregou ainda mais: melhorou a marca mundial duas vezes. Fez 16,12 m na segunda tentativa e, no seu último salto, chegou a 16,22 m, para se tornar o primeiro campeão olímpico do atletismo brasileiro.

Em 1953, o soviético Leonid Shcherbakov quebrou a marca de Adhemar por um centímetro. Dois anos depois, o brasileiro reconquistaria o recorde, com um espetacular salto de 16,56 m nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México-1955, marca que perduraria até 1958. 

A Cidade do México foi palco de mais um recorde brasileiro do salto triplo, em uma das finais olímpicas mais eletrizantes de todos os tempos. Durante a disputa, em 17 de outubro de 1968, a prova teve três recordistas mundiais diferentes. Um deles foi de Nelson Prudêncio, com a marca de 17,27 m. 

Até antes da final, o recordista era o polonês Józef Schmidt, com 17,03 m desde 1960. Na qualificatória dos Jogos Olímpicos, o italiano Giuseppe Gentile bateu a marca, com 17,10 m – ou seja, entrou na final como recordista mundial. Logo em sua primeira tentativa, o italiano fez 17,22 m. Mas, na segunda rodada, o soviético Viktor Saneyev alcançou 17,23 m. Na quinta tentativa de saltos, Nelson Prudêncio superou a marca, com 17,27 metros, e foi recordista mundial por alguns minutos – afinal, Saneyev fez 17,39 m em sua última chance, e garantiu o recorde e o ouro olímpico.

Saneyev teve o recorde de 17,39 m em vigência até 1971, quando o cubano Pedro Pérez Dueñas superou a marca mundial por um centímetro (17,40 m). O soviético retomou o recorde em 1972, quando fez 17,44 m. Marca que foi quebrada, em 1975, por outro genial brasileiro: João Carlos de Oliveira, o João do Pulo. 

Mais uma vez na altitude da Cidade do México, novamente em uma edição dos Jogos Pan-Americanos, um brasileiro assumiu o lugar de número 1 da prova: João do Pulo alcançou incríveis 17,89 metros para estabelecer um recorde mundial que durou uma década, superado por Willie Banks, dos EUA, que saltou 17,97 m em 1985.

O Brasil voltou a ter um recorde mundial de atletismo no dia 20 de setembro de 1998: Ronaldo da Costa venceu a Maratona de Berlim com o tempo de 2:06:05. O brasileiro diminuiu em 45 segundos o recorde anterior, do etíope Belayneh Dinsamo (2:06:50), que durava havia uma década. 

Era apenas a segunda vez que Ronaldinho disputava uma prova de 42,195 km, tornando-se o primeiro sul-americano a bater o recorde da maratona. Foi a primeira vez na história que um maratonista correu a prova em uma média abaixo dos 3 minutos por quilômetro – além disso, Ronaldo fez a segunda metade da prova mais rápido que a primeira (passou a meia maratona em 1:04:42, e fez a parte final em 1:01:43). A marca de Ronaldinho foi batida em 1999, pelo marroquino Khalid Khannouchi, que fez 2:05:42 na Maratona de Chicago.

Os recordes mundiais adultos de atletas brasileiros

Adhemar Ferreira da Silva – salto triplo – 3/12/1950, São Paulo – 16,00 m
Adhemar Ferreira da Silva – salto triplo – 30/9/1951, Rio de Janeiro – 16,01 m
Adhemar Ferreira da Silva – salto triplo – 23/7/1952, Helsinque (FIN) – 16,12 m
Adhemar Ferreira da Silva – salto triplo – 23/7/1952, Helsinque (FIN) – 16,22 m
Adhemar Ferreira da Silva – salto triplo – 16/3/1955, Cidade do México (MEX) – 16,56 m
Nelson Prudêncio – salto triplo – 17/10/1968, Cidade do México (MEX) – 17,27 m
João Carlos de Oliveira – salto triplo – 15/10/1975, Cidade do México (MEX) – 17,89 m
Ronaldo da Costa – maratona – 20/9/1998, Berlim (ALE) – 2:06:05
Alison dos Santos – 400 metros com barreiras – 27/8/2026, Zurique (SUI) – 45.80

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Wanderlei Oliveira

Técnico fundador do Clube Corpore, em 1982, e do Pão de Açúcar Club, em 1992. Desde 2000 é comentarista e blogueiro.

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Wanderlei Oliveira

 

Iniciou no atletismo em 1965. Já percorreu o equivalente à três voltas ao redor do planeta Terra. Técnico fundador do Clube Corpore, em 1982, e do Pão de Açúcar Club, em 1992. Desde 2000 é comentarista e blogueiro.

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