
Correr minha primeira maratona foi uma experiência difícil de colocar em palavras. Foram 42,195 km de emoções, aprendizados e descobertas sobre mim mesmo.
Uma coisa que me marcou muito foi perceber que chegar até o km 38 foi, de certa forma, mais fácil do que fazer os últimos quilômetros. Parece estranho falar isso, mas até ali eu estava conseguindo administrar bem o esforço. Quando passei do km 38, a prova realmente começou. Cada quilômetro parecia mais longo do que o anterior, e foi ali que precisei buscar forças onde nem sabia que existiam.
Dos 35 km até a chegada, brinco que corri mais com os braços do que com as pernas. Eu usava os braços o tempo todo para tentar manter o ritmo e seguir em frente. Quem já correu uma maratona provavelmente entende essa sensação. Quando as pernas começam a não responder da mesma forma, qualquer detalhe faz diferença.
Outro fator que tornou a prova desafiadora foi o clima. Entrei no túnel por volta dos quilômetros 22 e 23 em uma temperatura agradável, até fria. Mas, quando saí, encontrei um cenário completamente diferente: um sol escaldante. A mudança foi muito brusca e exigiu uma adaptação rápida. A partir dali, a hidratação e o controle do esforço passaram a ser ainda mais importantes.
Se teve algo que fez diferença do início ao fim, foi a torcida. Em vários momentos, especialmente quando o corpo já estava pedindo para diminuir o ritmo, ouvir alguém gritando seu nome, incentivando ou simplesmente vibrando por quem estava passando dava uma energia extra. A torcida da Maratona do Rio é algo realmente especial e foi fundamental para que eu continuasse avançando quilômetro após quilômetro.
Cruzar a linha de chegada foi a mistura perfeita de alívio, felicidade e orgulho. A maratona me mostrou que os limites que imaginamos ter muitas vezes estão mais longe do que pensamos. Foi uma estreia inesquecível e uma experiência que vou carregar para sempre. Afinal, a primeira maratona a gente nunca esquece.
Caio Mecca, 23 anos, natural de São Carlos, mora em São Paulo, completou a Maratona do Rio de Janeiro em 2 horas 41 minutos e 12 segundos; 46º no geral entre 14.155 e segundo na categoria dos 20 aos 24 anos entre os 1.225 atletas.





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